
As mulheres não gostam de ser vistas como gajas, a não ser na cama ou a caminho dela.
O problema delas talvez seja nunca quererem a verdade.
Para os mais exigentes, a celulite é atraente.
Os menos exigentes contentam-se com tudo, mesmo com um manequim ossudo, leve, desumanizado.
O bom gosto vive de pormenores reais, a pelezinha de laranja, o leve buçozito, um pelo ali e aqui, um tropeção num salto.
E qualquer mulher é gaja, boa ou não. Deixemo-nos de mitos.
A mulher real, bonita na sua imperfeição, dá-nos prazer estético.
A mulher irreal dá-nos apenas prazer ético.
O prazer ético de lhe cheirar o perfume e a mandar botar corpo.
Vem tudo isto a propósito daqueles momentos nas músicas das Azeitonettes que nos fazem vibrar, e falamos de novo desse dueto épico, histórico, entre a Nena e a priminha Babi Caius no "Já não te sinto em mim", e da forma como a Babi acaba,
num "niiinguééém" sumido, sumidinho, que vicia.
É humano, vibrante.
A perfeição é imprecisa.
Pedro Caius
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